E eu, que um dia antes de completar 22 anos, preferiria me esconder em uma toca escura e dormir de olhos abertos. Não sinto vontade de comemorar, nem por um minuto, a minha situação atual.
Eu, que mesmo me empenhando para fazer algo dar certo, colho ofensas, incompreensão, desfeitas, falta de fé.
Eu, que evito atitudes desnecessárias, recebo em troca provocações baratas que tentam me levar àquele lugar desconfortável, ausente de sanidade e bom senso.
Talvez meu organismo sinta mesmo a falta de ânimos felizes, esses raros que insistem em me iludir, esses que são substituídos por realidades paralelas à minha.
Meu estômago está do tamanho de um amendoim, minha mente está vagando por um lugar que eu nem lembrava que existia, mas que infelizmente, de uma hora pra outra, me é familiar.
Não importa o que eu faça, não importa o que eu fale, não importa o esforço que eu coloque nisso. Nada dará certo com falta de amor, nada funcionará se você não acreditar.
Nós nos embromamos em uma teia de respostas tortas, onde um parte do erro do outro para agir. Mesmo que eu saiba que estou tentando com o coração, você faz questão de se prender às falhas e desprezar meu esforço, lembrando o quão impotente eu sou perante esse relacionamento.
Eu amo você, amo mesmo, é o teu cheiro que eu gostaria de sentir todos os dias na hora de acordar, mas não consigo mais seguir com a certeza de que você já não gosta tanto de mim, como você mesmo disse.
Eu escrevo isso e um calor febril sobe pelas minhas entranhas, um cansaço que, por maior que seja, ainda tem uma pontinha burra de esperança.


