sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Hell

E eu, que um dia antes de completar 22 anos, preferiria me esconder em uma toca escura e dormir de olhos abertos. Não sinto vontade de comemorar, nem por um minuto, a minha situação atual.

Eu, que mesmo me empenhando para fazer algo dar certo, colho ofensas, incompreensão, desfeitas, falta de fé.

Eu, que evito atitudes desnecessárias, recebo em troca provocações baratas que tentam me levar àquele lugar desconfortável, ausente de sanidade e bom senso.

Talvez meu organismo sinta mesmo a falta de ânimos felizes, esses raros que insistem em me iludir, esses que são substituídos por realidades paralelas à minha.

Meu estômago está do tamanho de um amendoim, minha mente está vagando por um lugar que eu nem lembrava que existia, mas que infelizmente, de uma hora pra outra, me é familiar.

Não importa o que eu faça, não importa o que eu fale, não importa o esforço que eu coloque nisso. Nada dará certo com falta de amor, nada funcionará se você não acreditar.

Nós nos embromamos em uma teia de respostas tortas, onde um parte do erro do outro para agir. Mesmo que eu saiba que estou tentando com o coração, você faz questão de se prender às falhas e desprezar meu esforço, lembrando o quão impotente eu sou perante esse relacionamento.

Eu amo você, amo mesmo, é o teu cheiro que eu gostaria de sentir todos os dias na hora de acordar, mas não consigo mais seguir com a certeza de que você já não gosta tanto de mim, como você mesmo disse.

Eu escrevo isso e um calor febril sobe pelas minhas entranhas, um cansaço que, por maior que seja, ainda tem uma pontinha burra de esperança.

domingo, 24 de julho de 2011

And she wakes up alone...

É muito fácil fazer piadas sobre a morte de alguém, ainda mais quando o autor da piada, se morresse, não deixaria metade do legado de Amy. Pobres babacas sem coração.

A voz forte e incomparável da talentosa garota se ofuscava em meio aos escândalos e à desordem que ela causava, e que inquietava tanto a mídia. Agradeço a mim mesma por ter aproveitado a única oportunidade que tive de vê-la de perto, e de ouvir a voz maravilhosa que ela tinha. Mesmo no show em que fui, muitas pessoas torciam para que ela aparecesse “bebassa” e desse algum vexame, e não fizesse um espetáculo, como de fato, foi o que aconteceu.

A morte dela não foi surpresa pra ninguém, é claro. Alguém que usa a quantidade de drogas que ela usava não consegue durar muito. Fiquei muito triste com a ida de mais um ídolo, já que ela poderia ter agradado ainda mais os ouvidos dos que conhecem boa música, e confirmado o seu talento em novos álbuns, como o terceiro, que estava quase pronto. É triste saber que não vamos mais ver seu jeitinho tímido de dançar e olhar pra baixo, que contraria todo o resto da maneira louca que ela escolheu para viver.

Foi como ela quis, foi o que ela teve vontade de fazer. Ela não conseguiu se libertar de seus demônios pessoais, e talvez, essa tenha sido a solução que encontrou para ficar em paz. Estou muito chateada com a perda, os olhos tristes com que ela olhava para o horizonte enquanto cantava me tocavam de um jeito que só eu sei...

Rest in peace, Amy. Ficará na minha memória para sempre! Linda.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Bipolaridade

Odeio. Me odeio por ter acreditado em suas palavras vazias, por tê-las transformado em verdade absoluta. Me odeio por pensar que você poderia ser uma pessoa melhor e odeio ainda mais a minha ilusão em achar que eu teria a capacidade de tornar isso realidade. Me odeio por ter aceitado manter uma relação em que eu ganhava tão pouco, muito pouco, quase nada. Odeio o teu carinho conveniente, eu gosto mesmo é de amor. Gosto de paixão que vem de dentro, que enlouquece e acalma. Gosto de sentir a pele, de pegar a roupa do outro esquecida no banco do carro e inspirar as lembranças boas. Gosto de ficar de conchinha até dormir e depois me esparramar na cama. Mas quero fazer isso com alguém que sinta vontade da minha alma. Odeio esquecer como é o seu beijo de língua, de tão cômodas que as coisas ficaram entre nós. E odeio que você só me lembre dele nas horas inapropriadas. Gosto de ouvir logo de manhã palavras gostosas sem ter que implorar por elas. Gosto do frio, pra poder sentir o seu calor. Mas odeio o fato de que, até que me prove o contrário, você conseguiu me fazer perder a vontade de te ter dentro de mim.

Detesto favores feitos ao coração, principalmente quando se trata do meu. Detesto a tua arrogância em pensar que o meu mundo se resume ao teu quarto gelado, à sua conversa barata. Não suporto a tua maneira de me tratar como algo descartável. Mas amo essa nova vontade sincera de revirar o mundo até encontrar a mão que se encaixe perfeitamente na minha.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mudar

Não quero, nunca mais, olhar pra você e sentir teu olhar repelindo o meu. É claro que é sempre possível viver sem ter alguém. Acontece que sem você ao meu lado, tudo é saudade. Não quero ter que me imaginar dividindo a cama com outra pessoa. Não quero outro peito pra encostar a cabeça à noite, nem qualquer cheiro de pele que não seja o seu. Não quero outro corpo a não ser esse que você tem, com todas as perfeições e imperfeições.

Dezenas de meses já se passaram desde que eu dei o primeiro passo pra gente. Algo que eu nem imaginava que poderia se desenrolar até hoje, mas que por algum motivo, ainda acontece. Acontece dentro de mim e eu sei que acontece dentro de você. Talvez não com a mesma intensidade, mas já aprendi que não importa a maneira de amar, e sim a tua escolha de me querer também.

Não quero saber o que me dizem, o que importa é que eu te escolhi pra mim. Ninguém pode julgar minha escolha, o nosso bem estar é o que conta. E mais nada. Ao mesmo tempo em que senti dor hoje, estou feliz por ter mais uma chance de ser só sua. E por mais que falem o contrário mesmo sem eu pedir, eu acredito em você. Eu acredito em nós dois.

Não é possível que eu não consiga me adequar às exigências que me farão a pessoa mais feliz desse mundo. Não quero me subestimar a ponto de acreditar que a minha cabeça não consiga acompanhar meu coração. É questão de tentar com a alma. De correr atrás do que eu mais quero há tanto tempo e estou finalmente conseguindo. Não vale a pena jogar fora essa outra dimensão que só você me apresentou. Eu posso, e do meu peito você não vai precisar sair, te prometo, me prometo...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Doce veneno

Será que vale a pena desistir de alguém que é capaz de fazer você se apaixonar pela terceira vez?

Eu te encontro em outras dimensões mesmo querendo voar livre, sem te trombar por aí. Sonho quase todas as noites com você me aprontando alguma, mas acordo com seu telefonema e fica tudo bem.

O que me esgota de tentar outras paixões é esse riso fácil que insistimos em não assumir. É o encaixe confortável do meu queixo no seu ombro feito de pele recém-descascada de sol. A gente acaba pegando no sono na mesma cama de um jeito tão instintivo que eu me sinto em casa de novo. Fico te olhando dormir até você despertar e ir até o banheiro com as pernas mais lindas que existem no meu mundo. Depois de fumar uns cigarros, pega o violão e toca as músicas que eu nem sabia que me lembravam você, e eu sorrio por dentro igualzinho antes.

De repente eu olho pros seus olhos e acabo acreditando que eles acharam algo novo nos meus. Ao mesmo tempo em que o meu olhar envelheceu um pouco desde a última vez, me sinto mole de tão burramente encantada. O mundo se resume à sua sala pequena quando sua carinha de criança arteira brilha pra mim. A gente não se julga por falar tanta groselha. É que só faz sentido falar pra você.

Você é feito de um açúcar tóxico que me traz as piores recaídas e os melhores reencontros. Mas tudo bem. Acho que vai ser sempre assim.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

E volta a desordem!

Por que eu sempre tenho que fingir que tá tudo bem? A gente bebe uma cerveja aqui, você me puxa pra perto do teu peito e no segundo seguinte sai correndo pra atender o celular. E eu vejo nos seus olhos a mesma empolgação ridícula de quando você me mandava trinta mensagens por dia. É quando eu resolvo sair dali. Mas eu só falo que vou embora pra ver se você decide vir comigo.

Por algum motivo que eu tento entender todos os dias, você ainda me pede pra ficar. Nossos corpos já não se seduzem mais, apenas se reconhecem no caminho pra casa. Sua boca encontra a minha por obrigação, e se mantém quase fechada durante todo o resto do tempo. Quando é que o nosso amor ficou tão descartável? Desde quando você se esquece de dizer as palavras certas enquanto está dentro de mim?

Eu não ligo de deitar na tua cama usada e sentir outras paixões. Não me importo em lavar teus copos engordurados, porque isso significa ter você me chamando lá do quarto pra falar alguma besteira egoísta. O seu all star azul estrupiado já não combina mais tanto com o meu preto. Mas eu insisto em não usar sapatos novos...

O que me aborrece é o modo como eu sacrifico tanto só pra ter a tua perna pesando na minha no meio da noite. Ou então sentir teus braços sonolentos, que só me abraçam quando querem. Mas qual foi o momento em que eu me deixei precisar dessas merdas todas? Quando foi que o seu gelo me derreteu?

O nosso problema é que você sempre consegue me deixar com uma facilidade espantosa, mas faz questão de esquecer tuas coisas comigo. Você leva meu coração toda vez, e junto com algumas roupas e papeis do cartão de crédito, me deixa aqui. E relendo esse parágrafo eu percebo, assim como quem estiver lendo essas linhas, que isso acaba virando apenas o MEU problema.

Não é medo da solidão. Eu já me acostumei a não ter que ter alguém. É o maldito frio na barriga que eu ainda sinto antes de você me atender no telefone. É a porra do seu apelido que combina tanto com o visor do meu celular. É aquela sua ligação que me tira a insegurança do peito por alguns minutos.

E mesmo com o dom de fazer tudo errado, você não leva o crédito total por essas palavras enfastiadas. Não é só culpa sua. É minha também. Eu nunca olhei pro lado enquanto estive ao seu lado, mas me traio tantas vezes por dia que desconfio ganhar até dos maridos mais desleais. E o pior: mesmo após tanto dramalhão mexicano, eu ainda não enxergo um desfecho feliz.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Mi amor

Hoje seria um dia normal na minha vida. Domingo de recomposição pessoal pós fim de semana etílico-agradável-descontrole. Mas um detalhe o torna especial: minha amiga, o pedaço de mim que acompanha minhas dores e amores há sete verões, completa 22 anos!

Escolhi a estação mais ensolarada do ano pra descrever nosso tempo juntas porque ela é assim! Um dia lindo de verão, daqueles que o sol tem o poder de deixar tudo ainda mais colorido. A cerveja gelada na esquina como se espantasse o mal. Ela brilha em todas as vidas que encosta, faz feliz quem às vezes enxerga cinza. Deixa pintar o entardecer e o sol brincar de se esconder, chega a noite e a hora de festejar, e ela faz isso como ninguém! E se você fecha o olho a menina ainda dança...

Mari, você me apareceu e fez o nada virar tudo. Posso falar que amadurecemos muito desde então, provamos pra todo mundo que não precisávamos provar nada pra ninguém. Eu plantei uma flor no seu coração, e você me deu um sorriso trazendo paz. E hoje eu sei: não dá pra ficar imune ao teu amor que tem cheiro de coisa maluca...

Continue assim, com essa vontade de viver que é só tua. Jogando seu corpo no mundo, andando por todos os cantos. Leve com você só o que foi bom. Fama de porra louca, tudo bem! Louco é quem nos diz que não é feliz, não é mesmo?

Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê. E eu sei que você sabe quase sem querer que eu vejo o mesmo que você. Sua linda, começa aqui o oitavo ano da amizade mais sincera que eu poderia pedir. Eu penso no nosso futuro e sou feliz. Você é uma das melhores coisas da minha vida, e por mais que as nuvens da rotina escondam algumas cores, eu NUNCA deixarei você sentada na poltrona no dia de domingo! Parabéns pelo seu dia, eu te amo do fundo do meu coração. :)