Por que eu sempre tenho que fingir que tá tudo bem? A gente bebe uma cerveja aqui, você me puxa pra perto do teu peito e no segundo seguinte sai correndo pra atender o celular. E eu vejo nos seus olhos a mesma empolgação ridícula de quando você me mandava trinta mensagens por dia. É quando eu resolvo sair dali. Mas eu só falo que vou embora pra ver se você decide vir comigo.
Por algum motivo que eu tento entender todos os dias, você ainda me pede pra ficar. Nossos corpos já não se seduzem mais, apenas se reconhecem no caminho pra casa. Sua boca encontra a minha por obrigação, e se mantém quase fechada durante todo o resto do tempo. Quando é que o nosso amor ficou tão descartável? Desde quando você se esquece de dizer as palavras certas enquanto está dentro de mim?
Eu não ligo de deitar na tua cama usada e sentir outras paixões. Não me importo em lavar teus copos engordurados, porque isso significa ter você me chamando lá do quarto pra falar alguma besteira egoísta. O seu all star azul estrupiado já não combina mais tanto com o meu preto. Mas eu insisto em não usar sapatos novos...
O que me aborrece é o modo como eu sacrifico tanto só pra ter a tua perna pesando na minha no meio da noite. Ou então sentir teus braços sonolentos, que só me abraçam quando querem. Mas qual foi o momento em que eu me deixei precisar dessas merdas todas? Quando foi que o seu gelo me derreteu?
O nosso problema é que você sempre consegue me deixar com uma facilidade espantosa, mas faz questão de esquecer tuas coisas comigo. Você leva meu coração toda vez, e junto com algumas roupas e papeis do cartão de crédito, me deixa aqui. E relendo esse parágrafo eu percebo, assim como quem estiver lendo essas linhas, que isso acaba virando apenas o MEU problema.
Não é medo da solidão. Eu já me acostumei a não ter que ter alguém. É o maldito frio na barriga que eu ainda sinto antes de você me atender no telefone. É a porra do seu apelido que combina tanto com o visor do meu celular. É aquela sua ligação que me tira a insegurança do peito por alguns minutos.
E mesmo com o dom de fazer tudo errado, você não leva o crédito total por essas palavras enfastiadas. Não é só culpa sua. É minha também. Eu nunca olhei pro lado enquanto estive ao seu lado, mas me traio tantas vezes por dia que desconfio ganhar até dos maridos mais desleais. E o pior: mesmo após tanto dramalhão mexicano, eu ainda não enxergo um desfecho feliz.

Meu bem...
ResponderExcluirMais um texto lindo, com palavras que conseguem retratar, com muita fidelidade, o que você realmente é. Entre palavrões, lágrimas e sorrisos, vejo em você a pessoa mais amiga, mais parceira e mais paciente com quem ama de verdade. Experiência própria.
O que mais gosto é essa sua vontade de se entregar a tudo que tem vontade mesmo sabendo que pode falhar. E quando não dá certo, você sabe que me tem aqui, e eu te tenho aí. Porque assim tudo fica mais calmo, suave. E quer saber? Quero muito mais dramalhão mexicano pra gente. Quero muito mais perrengue porque, assim, as risadas vêm como consequência. E também porque é impossível não sorrir ao seu lado. ♥