2h44. Sentada em frente ao computador. Quarto sem luz por causa da chuva, luminária de mesa quebrando o galho e fazendo uma sombra macabra de mim mesma na parede.
Queria escrever um texto de anteontem que deixei pra ontem, e de ontem que deixei pra hoje. Mas a essas horas a inspiração já se foi, e o que borbulhava em meus pensamentos há dois dias se desmanchou. Se transformou em um lugar com fotografia pós guerra: cinza, devastado, inabitado. Se fosse fiel a esse cenário, poderia até descrever o lugar como carregado de tristeza, mas não é bem assim que me sinto. Sinto uma indiferença cômoda.
Depois de sete meses, é a primeira vez que me sinto assim, conformada com a situação. Posso ter derrubado umas (poucas) lágrimas acostumadas mais cedo, mas elas secaram justamente quando a minha razão voltou a gritar. Foi quase um chacoalhão, tipo: “LIGIASUARETARDADASERECOMPONHAMULHER”. Aí eu desacelerei meus anseios, sempre tão impulsivos, e surpresa: me controlei.
E sabe que foi bom? Até me senti começando a cumprir uma das minhas metas pra 2011. Sei que o mundo não precisa de mais egoístas, mas nesse quesito eu preciso exercer o meu amor-a-Ligia-em-primeiro-lugar-e-foda-se-quem-me-faz-mal. É sério. E estou achando que calos novos se formaram. A cicatriz sempre estará lá, está certo, mas dessa vez a ferida não abrirá de novo.
Eu posso ter muitos defeitos, mas a minha dedicação a alguém está entre as minhas melhores qualidades. Se a pessoa não é capaz de enxergar isso, não merece nem a minha pior expressão de desprezo. E garanto, ela é digna de vilã de novela. Daqui pra frente, a apatia será o escudo do meu coração. Pelo menos pra me proteger de quem teve a proeza de construí-lo, lentamente, passo a passo.
Como esse é o primeiro texto do ano, eu aproveito pra me desejar novidades. Primeiro beijo no lugar de rotina, palavras sinceras ao invés de telefonemas por obrigação, abraços coloridos e olhinhos brilhando pra mim. E muito sexo sem vergonha, porque né, ninguém é de ferro.

hahahaha, muito bom o texto, Lí! curiosamente consegui "ouvir" você recitando ele, na imaginação de uma tragada de cigarro para cada vírgula que colocou, mesmo você não fumando mais. Mas até o "é sério" tão característico quanto sua magreza ali presente, bela representação de suas idéias com palavras! =*
ResponderExcluiropa brigada gú ((: sempre fico feliz com comentários haha
ResponderExcluirÉ meu bem. Coloquei meu coração no bolso há um tempo para evitar tais cagadas. Não vai ficar muito, só enquanto eu não tiver paciência e humor para enfrentar tudo. hahaha
ResponderExcluirLinda você, lindo o texto. ♥