sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Melhor pra mim

2h44. Sentada em frente ao computador. Quarto sem luz por causa da chuva, luminária de mesa quebrando o galho e fazendo uma sombra macabra de mim mesma na parede.

Queria escrever um texto de anteontem que deixei pra ontem, e de ontem que deixei pra hoje. Mas a essas horas a inspiração já se foi, e o que borbulhava em meus pensamentos há dois dias se desmanchou. Se transformou em um lugar com fotografia pós guerra: cinza, devastado, inabitado. Se fosse fiel a esse cenário, poderia até descrever o lugar como carregado de tristeza, mas não é bem assim que me sinto. Sinto uma indiferença cômoda.

Depois de sete meses, é a primeira vez que me sinto assim, conformada com a situação. Posso ter derrubado umas (poucas) lágrimas acostumadas mais cedo, mas elas secaram justamente quando a minha razão voltou a gritar. Foi quase um chacoalhão, tipo: “LIGIASUARETARDADASERECOMPONHAMULHER”. Aí eu desacelerei meus anseios, sempre tão impulsivos, e surpresa: me controlei.

E sabe que foi bom? Até me senti começando a cumprir uma das minhas metas pra 2011. Sei que o mundo não precisa de mais egoístas, mas nesse quesito eu preciso exercer o meu amor-a-Ligia-em-primeiro-lugar-e-foda-se-quem-me-faz-mal. É sério. E estou achando que calos novos se formaram. A cicatriz sempre estará lá, está certo, mas dessa vez a ferida não abrirá de novo.

Eu posso ter muitos defeitos, mas a minha dedicação a alguém está entre as minhas melhores qualidades. Se a pessoa não é capaz de enxergar isso, não merece nem a minha pior expressão de desprezo. E garanto, ela é digna de vilã de novela. Daqui pra frente, a apatia será o escudo do meu coração. Pelo menos pra me proteger de quem teve a proeza de construí-lo, lentamente, passo a passo.

Como esse é o primeiro texto do ano, eu aproveito pra me desejar novidades. Primeiro beijo no lugar de rotina, palavras sinceras ao invés de telefonemas por obrigação, abraços coloridos e olhinhos brilhando pra mim. E muito sexo sem vergonha, porque né, ninguém é de ferro.

3 comentários:

  1. hahahaha, muito bom o texto, Lí! curiosamente consegui "ouvir" você recitando ele, na imaginação de uma tragada de cigarro para cada vírgula que colocou, mesmo você não fumando mais. Mas até o "é sério" tão característico quanto sua magreza ali presente, bela representação de suas idéias com palavras! =*

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  2. opa brigada gú ((: sempre fico feliz com comentários haha

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  3. É meu bem. Coloquei meu coração no bolso há um tempo para evitar tais cagadas. Não vai ficar muito, só enquanto eu não tiver paciência e humor para enfrentar tudo. hahaha
    Linda você, lindo o texto. ♥

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